Diário da gorda, nona entrada.
Nesta semana que passou a gorda teve uma visão. Enquanto ela estava correndo nas esteiras da academia, lutando dura e bravamente (pra ficar saudável? Não, pra ficar magra, rélooooo--uooooooo-uuuuu), ela viu um caminhão de porcos passando para uma destas indústrias alimentícias. Os porcos, coitados não tinham muita noção do destino deles e a gorda ficou compadecida com a cena, daqueles porquinhos divididos nas pequenas celas, enclausurados num pequeno espaço de morte ali por ali sendo transportados praquele fim.
Depois a gorda pensou uma coisa um tantinho banal. Aqueles porcos eram ela mesma. E seus colegas. E amiguinhos e inimiguinhos. E todas as pessoas ao redor. Mas num sentido bem específico, que dessa vez não tinha nada a ver com a gordice... eram as pessoas que iam pro trabalho todo dia, o trabalho das pessoas é a cela do porco. O destino dos porcos é morrer pra sustentar um pequeno sistema de privilégios de homens com gostos refinados. O destino do trabalho é gerar bem-estar a outro pequeno grupo (cada vez mais pequeno) de gostos refinados, a gorda pensou. E ela passou a odiar/amar trabalho mais do que o que ela já odeia/ama. Odeia porque se o trabalho gera bem-estar, este bem estar vai ser distribuído de cima pra baixo e vai ficar concentradíssimo. Ama porque ela gosta de aprender sobre física, gosta da física (que é a profissão da gorda).
A gorda pelo menos pode odiar/amar o trabalho. Quanto aos porcos não sabemos o que acham de suas celas.
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