quinta-feira, 23 de abril de 2015

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Diário da gorda, sexta entrada.

Daí a gorda super aproveitou o feriado pra lavar toda roupa e fazer aquela pegação babada no banheirão mais badalado da cidade! Todas as bichas (gordas que nem elas, um pouco mais velhas que elas, as novinhas se prostituindo), as do armário e as de fora convoluíam praquele banheirão majestoso! Capaz, a maior parte das bichas (da cidade e fora dela), acham banheirão coisa nojenta, degradante, coisa de gente pobre (ai que horror, pobre, asco!), coisa de gente suja (que horror, a sujeira!), coisa de gente assim... os párias né. [Claro que as mesmas bichas nunca que conseguem conter a excitação de pensar na situação (e tem as mais torpes que negam né?), mas a gorda não tá aqui pra falar disso hoje. (Sim, o banheirão tinha o que a viadagem moderna, bem comportada, quase hétero, o "meio gay" bombado, educado, masculinizado, julga: a escória dentre os gays, os pobres, os sujos, os feios, os gordos).]

E a gorda se encontrou com um bofinho no belo dia de feriado, um estilo pocket (assim pequetito, mais que ela), e foram pro banheiro reservado enquanto a tarde ia indo embora pelas janelas do banheiro. Eu (a gorda) e o bofinho foram (fomos) nos (se) pegando enquanto a noite chegava. (A cidade ia ficando literalmente às escuras... falta de energia elétrica o dia todo). (Ficaria uma noite de total escuridão... breu...). A pegação ia acontecendo... na cabine de banheiro mal-cheirosa... tudo meio no escuro, à meia luz, um tesão, uma loucura, uma coisa por ali, naquela meia luz... meia luz... Quando a gorda se lembrou de um poema do Yeats que dizia das roupas azuis, escuras e pretas, as que se espalharia no chão pra gente se jogar no meio dessa pegação que tesão e tudo e tal... na luz, na meia luz e no escuro...
Peraí,... o poema dizia que ele espalharia as roupas no chão (na verdade) sobre os seus pés boy, pra seguir teu caminho, pra que tu caminhasse (mas na hora da pegação o poema veio meio mudado assim, adaptado ao momento né...). Às roupas cerzidas nos céus, envoltas em luz prata e ouro...Mas sendo eu pobre, só tenho alguns sonhos, que espalho sobre teus pés... pisa devagar, já vou gozando aqui sobre meus sonhos, pisa devagar boy, são meus sonhos...Aaaaaaaaaahhhhhhhh!

O poema era mais complicado, mas foi por aí... também porque era em inglês e a gente pensa em português... Dizia algo como "...Had I the heavens, embroidered cloths, enwrought with golden and silver light, the blue and the dim and the dark cloths of night and light and the half light, I would spread the cloths under your feet... But I, being poor have only my dreams; I have spread my dreams under your feet; tread softly' cause you tread on my dreams..."

A gorda fui pra casa e dormiu extasiada, toda jogada na cama. Ooooohhhh Berenice, mas foi uma coisa assim... espiritual!

domingo, 19 de abril de 2015

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Diário da gorda, quinta entrada.

Mas ói Berenice, eu tô aqui nadando no Chandon! Nadando no Chandon, no sauvignon e no Don Perrignon! A gorda tá colocada! Capaz, tô nadando é nas lágrimas de sangue das minhas inimigas hahahahahaha.
Que nada, nem nadar a gorda sabe, no máximo ela se afunda (em suas próprias lágrimas). É o que eu (ela) ando fazendo, pra não dizer completamente, parcialmente. Pra gorda a fossa é visitar a família. A família é aquele lugar de violência terrível por tantos lados, a homofobia, o machismo, a misoginia, a luta de classes, o racismo, a gordofobia fazem parte do imagético dessas visitas (quando não fazem diretamente nos discursos, vão aparecendo velados... ou nem tanto). Porque além da violência cotidiana das relações familiares há todas estas outras violências e a gorda ainda não desenvolveu anticorpos pra lidar com todas essas coisas (me desculpem os adaptados).

Mas aí eu necessitado de companhia e chocolate num domingo a noite caí em tentação (e que tentação)...

Deu desastre quando a gorda foi conversar com a mãe sobre essas questões e abriu a caixa de pandora (o que significa: mamãe, você e todos os da família são preconceituosos em vários níveis que já não me acostumo mais se quer saber, e é por isso que não confio em vocês).

Ai gorda... tivesse ficado calada!
Me salva Berenice!



4 - (19/04/2015)

Diário da gorda, quarta entrada.

(A gorda) passo o final de semana sozinha em casa e o feriado de tiradentes, sem amigos, sem amantes, sem boys, sem carinho e sem coberta no tapete atrás da porta reclamando baixinho. Mas a gorda se lembra ainda de manhã: ai que delííííícia acordar sozinho, sem amigos, sem amantes, sem carinho, sem coberta, na cama do lado do tapete atrás da porta, espreguiçar sozinho e bebericar o expresso com leite costumeiro huuummmm.

Domingo não sei o que.
Esse domingo de ânsias. Tenho uma gana nas mãos sabe Berenice, me segura...

Beijos Berenice, vou dormir, esperar tudo isso acontecer amanhã.
(No caso o café).

3 - (17/04/2015)

Diário da gorda, terceira entrada.

Ontem a gorda (eu) sonhou (sonhei) com o Gênio da lâmpada dizendo pra ela "espelho espelho meu"!
Uma coisa assim... moderna. O gênio saía da lâmpada e perguntava pra gorda (pra mim):

-Gordita querida, você quer ser magra? Quer ser assim... Chuazenéguer? Assim Tom Cruise?
No sonho ela responde: siiiiiimmmmm e agita todos os pompons! Ansioooosa! Siiiiiiiiimmmmmm, é tudo o que eu mais quero senhor gênio! Pensa bem, ficar nu em público, fazer sexo, ir nas piscinas, na praia, tirar a roupa no banheiro, na frente dos boys sem ter a vergonha daquelas gorduras no corpo? Pensa bem, senhor gênio, o melhor de tudo, saber que as pessoas não vão estar te olhando e se censurando (porque elas te acham feia assim... gorda, mas se censuram - algumas - , porque acham feio achar isso feio!).

Então tá gordita, vou te transformar magra, de acordo com a imagem que você tenha de você magra agora mesmo!
Plóim!

E a gorda ficou igualzinho ao que tava antes! Igualzinho! Era uma questão de falta de imagem de si mesmo magra, pois desde que o mundo era mundo ela se pensava assim...
Aí 'a gorda' acordei triste (será que vou ser gorda a vida inteira?). Depois lembrei de uma frase que dizia no fundo do sonho, en ambience, parecendo um coro que acontecia em segundo plano numa ópera de Puccini, "é pra poucas, bicha bonita não se esconde, mostra o rosto, a feminilidade."

Ai Berenice...

2 - (12/04/2015)

Diário da gorda, segunda entrada.

Querides-as-os leitores-as-os,

a gorda quer saber:
ó mundo injusto que não me deseja sexualmente esse corpo! Ela saiu pra pegar um boy e o boy broxou porque ela é gorda! (???? mas hein??? porque foi que começou boy?, me deixe, meus corpos, minhas pelancas, não me toques! Me segura Berenice, vou cair!).

Bem, não podendo fazer muito, ela voltou pra casa. Aí botou Maria Bathania, fez a linha "a fossa número 10", limpou toda casa que o fogão ficou brilhante, ariou, ariou, ariou. A gorda (eu) pensou (pensei), se tivesse casaco de pele e pérolas e diamante, me serviria toda deles, estaria lindéééééézima colocada nos brilhantes, passando pano no chão, imagina a cena Berenice!

Não mentira ela não fez nada disso (do último parágrafo). Ela só se deprimiu em frente ao computador (mas a fossa número 10 foi na verdade com a Elis Regina cantando Atrás da Porta), fim da história.

E boua notchy Berenice...

1 - (11/04/2015)

Diário da gorda, primeira entrada.

Caros, caras e cares leitoras, leitores e leitoros que possam eventualmente cair por engano nesta página:
decidi abrir o diário da gorda da efapi onde vou contar todas as questões que passam no coraçãozinho desta gorda-gordinha-gordérrima que vive aqui na efapi, em Chapecó.

De agora em diante, com entradas semanais, mensais, diárias ou anuais, vou tentar dar um resuminho do que é que a gorda tem, que não tem nos outros.

Hoje, pra inaugurar pensei em colocar porque de fazer o diário da gorda da efapi, mas como são tantas as prerrogativas, é capaz que eu me perca entre as divagações aqui, e pra não dar um nó no meu pensamento, só digo que esta alcunha me foi carinhosamente dada num chat de pegação e estou adotando ela porque a achei FOFÍSSIMA!

Mas vocês sabem como é... a gorda da efapi, puta das galáxias (e ao longo das entradas da gorda vocês vão colecionar alcunhas como estas), vadia sobre todas as vadias despudorada e vagabunda de todas as pessoas que fazem sexo já tentou demais ser magra, ai como ela já tentou. (Acabou descobrindo depois de 3 anos de academia que 1) os pesos pesam e fazem hematomas. 2) depois de muito aeróbico, ela mudou completamente  - deixou de ser gorda? Não, passou a ser uma gordinha ágil!). Como ela não conseguiu esse feito de emagrecer, decidiu abrir esse diário online.  Por hora é só pequenérrimos (me desculpem, mas ante esta gorda aqui que vos escreve são todas, todos e todes pequenérrimos).

Ps. peço a todos, todas e todes os gordos, gordas e gordes, a todos, todas e todes que se acham assim, que não se ofendam se a gorda é muito literal em se representar assim... (e que não se ofendam com este diário (essa gord nem é gorda!), este diário online não é pra promover a gordofobia - kkkkk como se ela ainda precisasse de alguma promoção entre nossos corpos néahm?, mas do contrário pra protagonizar minha gordura!).

Me segura Berenice!