Diário da gorda, oitava entrada.
Hoje a gorda foi (fui) no banheirão babado, aproveitar que tava no centro dar uma ciscada por lá. Eis que entra um boyzinho todo metido e começa a gritar com ela... "Seu cheira-bosta, viado de merda, tá procurando sacanagem aqui?"
Há uma gama de respostas que a gorda pensou pra ocasião (na verdade pensei nestas respostas depois, na hora só pensei na resposta que dei e mais nada. E claro fiquei com medo). Três versões se destacam no pelotão do campo das ideias, a sincera, a sado e a fóbica-deu-um-loop-pra-loucura. A primeira e mais clássica seria:
- Isso não é nada meu querido, você parou por aí porque não me viu peladinha, ouviu? Se tivesse visto, eu ia muito bem completar: esqueceu de me chamar de gorda!
Outra opção seria:
- Sim, sim, meu bem, o mesmo que você, mas sem essa homofobia escrota, e sem precisar negar meus desejos, meus corpos, minhas pelancas, já aceitei tudo isso, tudinho, tudinho, sou toda-toda, me sorvo das minhas estranhas, me sorvo todo guloso da minha nojeira, de tudo isso que você chama de abjeto, e que é o que eu sou, essa delícia que sou, delícia pra mim mesmo, tá ouvindo belezinha, estou aqui oferecendo este corpo que é tudo que tenho, agora muito bem, passe a violentá-lo JÁ, ME POSSUA NESTE INSTANTE, de preferência daqui pra frente com a violência física, já que a verbal, já fez check point.
Ainda a gorda podia ter ido por uma mais clássica e dito:
- Você está enganado, eu acho nojento essa bandidagem viada, esses viado tudo podre que vem aqui procurando sacanagem, que ravia dessa pilantragem dos infernos, poluindo a praça e a vida pública, deviam era morrer, morrer muito, morrer demais, majoritarimente morrer, morrer de tesãããããããããoooooo!
Mas como dito no começo, a gorda só disse pra bicha homofóbica gritosa: "tô mijando, me dá licença", e a bicha homofóbica saiu gritando sozinha as mesmas coisas parecendo um Goblim covarde que não tem muito a perder na vida... (E que vida sem-graça essa em que a única emoção só pode ser tirada de uma violência homofóbica).
O que acontece no banheirão fica no banheirão, disse um amigo da gorda. Pois é bem verdade, inclusive os crimes.
(Se bem que não né... a gorda tá aqui contando tudinho, afinal).
Bereniiiiiiiceeeeeee que stás no céu! (Ai errei, era a Leila). Me proteja Berenice, me deixa cair em tentação mas livrai-me do mala-man!
Amem Berenice!
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